
Se está a considerar iniciar um tratamento farmacológico para perda de peso em Portugal, é provável que já tenha encontrado dois nomes: Mounjaro (tirzepatida) e Ozempic (semaglutida). Embora ambos pertençam à classe dos agonistas do recetor GLP-1 e sejam injetáveis, existem diferenças fundamentais entre eles que podem influenciar a sua escolha. Neste artigo, comparamos detalhadamente ambos os medicamentos para o ajudar a tomar uma decisão informada.
Resumo Rápido: Mounjaro vs Ozempic
O Que É o Mounjaro?
O Mounjaro contém tirzepatida, uma molécula inovadora que atua como agonista duplo dos recetores GLP-1 e GIP (polipéptido insulinotrópico dependente de glucose). Esta dupla ação é o que distingue fundamentalmente o Mounjaro dos outros medicamentos da mesma classe.
A tirzepatida foi desenvolvida pela Eli Lilly e aprovada pela EMA (Agência Europeia de Medicamentos) tanto para o tratamento da diabetes tipo 2 como para a gestão crónica do peso em adultos com obesidade ou excesso de peso com comorbilidades.
O mecanismo duplo GLP-1/GIP permite:
Maior saciedade: Redução significativa do apetite e da ingestão calórica
Melhor controlo glicémico: Regulação mais eficaz dos níveis de açúcar no sangue
Otimização metabólica: Melhoria do metabolismo lipídico e da sensibilidade à insulina
O Que É o Ozempic?
O Ozempic contém semaglutida, um agonista do recetor GLP-1 desenvolvido pela Novo Nordisk. Foi inicialmente aprovado para o tratamento da diabetes tipo 2, mas rapidamente ganhou popularidade pelo seu efeito significativo na perda de peso.
A semaglutida no Ozempic atua exclusivamente no recetor GLP-1, proporcionando:
Supressão do apetite: Atraso do esvaziamento gástrico e sinalização de saciedade ao cérebro
Controlo da glicemia: Estimulação da secreção de insulina dependente de glucose
Redução de peso: Perda significativa de peso corporal como efeito secundário benéfico
Nota importante: O Ozempic está aprovado em Portugal para diabetes tipo 2, não especificamente para perda de peso. O Wegovy (semaglutida em dose mais elevada, 2,4mg) é a versão aprovada para obesidade, embora a sua disponibilidade em Portugal seja mais limitada.
Eficácia na Perda de Peso: Mounjaro vs Ozempic
Esta é possivelmente a comparação mais relevante para quem procura um tratamento para perda de peso. Os ensaios clínicos mostram diferenças significativas:
Resultados do Mounjaro (Ensaios SURMOUNT)
SURMOUNT-1: Perda média de 15% a 22,5% do peso corporal em 72 semanas, dependendo da dose
Dose de 15mg: Até 22,5% de perda de peso — o resultado mais elevado alguma vez registado num ensaio de fase 3 com medicação anti-obesidade
Proporção com perda ≥20%: Mais de 36% dos participantes na dose máxima perderam 20% ou mais do peso corporal
Resultados do Ozempic (Ensaios STEP — com Wegovy/semaglutida 2,4mg)
STEP-1: Perda média de 14,9% do peso corporal em 68 semanas com semaglutida 2,4mg
Ozempic (dose 1mg para diabetes): Perda média de 5% a 10% como efeito secundário
Proporção com perda ≥20%: Aproximadamente 15% dos participantes
Veredito: O Mounjaro demonstra resultados superiores na perda de peso em ensaios clínicos comparados, o que é atribuído ao seu mecanismo de ação duplo (GLP-1 + GIP).
Efeitos Secundários: Comparação Detalhada
Ambos os medicamentos partilham um perfil de efeitos secundários semelhante, maioritariamente gastrointestinais, especialmente nas primeiras semanas de tratamento:
Na maioria dos casos, os efeitos secundários são ligeiros a moderados e tendem a diminuir após as primeiras 4-8 semanas de tratamento. A escalação gradual da dose, recomendada em ambos os medicamentos, ajuda a minimizar estes efeitos.
Modo de Administração
Tanto o Mounjaro como o Ozempic são administrados por injeção subcutânea uma vez por semana, utilizando canetas pré-cheias de uso fácil:
Mounjaro: Caneta pré-cheia com agulha oculta — não é necessário ver a agulha durante a injeção. Disponível em 6 dosagens (2,5mg, 5mg, 7,5mg, 10mg, 12,5mg, 15mg)
Ozempic: Caneta pré-cheia multidose — cada caneta contém várias doses. Disponível em dosagens de 0,25mg, 0,5mg, 1mg e 2mg
Ambos podem ser injetados no abdómen, coxa ou parte superior do braço, e devem ser administrados no mesmo dia da semana.
Escalação de Dose
A escalação gradual é fundamental para minimizar efeitos secundários:
Mounjaro
Semanas 1-4: 2,5mg (dose de iniciação)
Semanas 5-8: 5mg
Aumentos subsequentes: Em incrementos de 2,5mg a cada 4 semanas, até à dose máxima de 15mg
Ozempic
Semanas 1-4: 0,25mg (dose de iniciação)
Semanas 5-8: 0,5mg
Semana 9+: 1mg (pode aumentar para 2mg se necessário)
Preço e Acessibilidade em Portugal
O custo é um fator decisivo para muitos utentes. Aqui está a comparação atualizada de preços em Portugal:
*O Ozempic não está aprovado para perda de peso; o Wegovy (semaglutida para obesidade) também não é comparticipado.
Qual Escolher? Critérios de Decisão
A escolha entre Mounjaro e Ozempic deve ser feita em conjunto com o seu médico, considerando os seguintes fatores:
Escolha Mounjaro se:
O seu objetivo principal é a perda de peso significativa (mais de 15% do peso corporal)
Tem diabetes tipo 2 e obesidade simultaneamente e pretende tratar ambas
Já experimentou Ozempic ou semaglutida e os resultados foram insuficientes
Prefere um medicamento com mecanismo de ação duplo (GLP-1 + GIP)
Está disposto a investir num tratamento potencialmente mais eficaz, mesmo que ligeiramente mais caro
Escolha Ozempic se:
O seu objetivo principal é o controlo da diabetes tipo 2 com benefício adicional de perda de peso
Procura um medicamento com maior historial de utilização e dados a longo prazo mais extensos
O preço é um fator determinante e pretende beneficiar da comparticipação SNS
Prefere começar com um medicamento mais estabelecido no mercado português
Podem Ser Utilizados em Conjunto?
Não. O Mounjaro e o Ozempic não devem ser utilizados simultaneamente. Ambos atuam nos mesmos recetores (GLP-1) e a combinação aumentaria significativamente o risco de efeitos secundários gastrointestinais graves, incluindo náuseas severas, vómitos e potencial pancreatite.
Se estiver a trocar de um medicamento para o outro, o seu médico definirá um período de transição adequado, geralmente iniciando a nova medicação uma semana após a última dose da anterior.
Perguntas Frequentes
O Mounjaro é mais eficaz que o Ozempic para emagrecer?
Sim, os ensaios clínicos demonstram que o Mounjaro (tirzepatida) proporciona uma perda de peso superior ao Ozempic (semaglutida). Na dose máxima, o Mounjaro demonstrou uma perda média de até 22,5% do peso corporal, comparado com aproximadamente 15% com semaglutida na dose equivalente para obesidade.
Qual tem menos efeitos secundários?
Ambos os medicamentos têm perfis de efeitos secundários semelhantes, predominantemente gastrointestinais. Não há diferenças clinicamente significativas na incidência de efeitos adversos graves entre os dois medicamentos.
Posso trocar de Ozempic para Mounjaro?
Sim, a troca é possível e relativamente comum. Deve ser feita sob supervisão médica, com um período de transição adequado. Geralmente, inicia-se o Mounjaro na dose mais baixa (2,5mg) uma semana após a última dose de Ozempic.
Qual é mais barato em Portugal?
O Ozempic tende a ser ligeiramente mais acessível, especialmente quando comparticipado pelo SNS para diabetes tipo 2. Sem comparticipação, a diferença de preço é moderada (€20-40 por mês a favor do Ozempic).
Preciso de receita médica para ambos?
Sim, tanto o Mounjaro como o Ozempic são medicamentos sujeitos a receita médica obrigatória em Portugal. Não podem ser adquiridos legalmente sem prescrição.
Qual está mais disponível em farmácias portuguesas?
O Ozempic tem maior disponibilidade devido à sua presença mais prolongada no mercado. O Mounjaro está em fase de expansão de distribuição, com disponibilidade crescente nas principais farmácias.
Conclusão
Tanto o Mounjaro como o Ozempic são medicamentos eficazes e seguros, mas servem perfis de utentes ligeiramente diferentes. O Mounjaro destaca-se pela eficácia superior na perda de peso graças ao seu mecanismo duplo GLP-1/GIP, enquanto o Ozempic oferece um historial mais longo e melhor acessibilidade em Portugal, especialmente para utentes com diabetes tipo 2.
A decisão final deve sempre ser tomada em consulta com o seu médico, que avaliará o seu perfil clínico, objetivos de tratamento e circunstâncias individuais para recomendar a melhor opção.